Thursday, August 09, 2007

....pirate...


Era para te contar como eu tive sempre razão. Era para sentires que afinal a fotografia da amélie de olhos fechados e costas para ele era isso só isso e era tudo. Era para saber como emagreceste e eu ganhei músculos. Como gosto de ensinar as crianças e receber beijos fortes delas. Ter flores na minha secretária. Era para contar de tudo e tudo da terra dos brancos e mostrar-te o brilho dos meus olhos quando conto o episódio no gabinete da Juliet e quando fiquei a ver as christmas lights no sommerset house a brilharem na pista de gelo e nos meus olhos. Era para saber se doi quando a pegas ou colo. Era para tudo e era para sempre. Era. Foi há tempos e tempos e sinto que doi-te mais a ti que a mim. Era para te mostrar o meu quarto novo. Os meus óculos que uso agora e que ainda me fazem tonturas. Era para te dizer que faço música com o silêncio das minhas mãos e que gosto de ir ao japonês. Que faço batota a comer com os pauzinhos. Que continuo a não gostar de moscatel e que para mim nunca vai ser uma bebida de mulheres. Too sweet when I'm sour.
Gosto de tanta coisa que aprendi e que me mostraram. Que os concertos à chuva são do melhor que há. Que não fui ver Dave Matthews. Não consegui. Continua a saber tão bem ouvir o Carlos Barretto, continuo a sonhar tocar contra-baixo. Nunca vou ser capaz.
Tenho uma máquina fotográfica digital que comprei em Londres por 46 libras. Tenho relógios grandes e gosto de ténis com flores pequenas em jeito de galochas. Gosto de usar franja e ter a pele dourada do sol.
Que o sol me fez bem. Que a chuva me fez melhor. Que me faz melhor.
Continuo a gostar do traço preto nos meus olhos, das calças largas daquela cor que não existia em mais lado nenhum, que o rio continua no mesmo sitio sem a mesma magia. Perdeu-se. Que gosto de rebolar na relva e que o faço cada vez mais. Que dou mergulhos. No mar. No ar.
Gosto sinceramente que o passado seja igual mas que o futuro tenhas coisas que ninguém vai saber: se deste um sorriso ou viraste a cara pro lado.

Tuesday, August 07, 2007

...coming home again...

Apeteceu voltar a esta casa, deixar os dedos flutuar pelo teclado outra vez. Ao som de velhas músicas com o cd dos lamb (what sound) no meu ouvido direito e a luz do sol a querer espreitar.
Tinha tanta coisa para deixar aqui, já nem lembro a ultima vez que aqui estive para escrever alguma coisa (já nem me lembrava da password para entrar).
Tanta coisa já aconteceu, algumas lágrimas e muitos mais sorrisos. Tantos passos dados e tanta coisa nova vista pelos olhos a dentro. Agora como diz o Mia, estou a dar descanso à existência.

Não me esqueci da minha chuva e às vezes sinto que a abandonei mas é que o sol abrasador da rotina deixa pouca vontade para carregar no botão da chuva e deixar-me levar em direcção ao diluvio.

Gosto deste canto. Vou voltar. Sei que vou. Acontece sempre em tudo o que é realmente bom. Voltamos sempre. É como o cd dos lamb.

Até breve amigos, com mais textos e fotografias.

Saturday, April 21, 2007

...portanto...

Verão sucaldo na pele árida do deserto com nome meu. Carros a correr a alta velocidade como eu gosto. A tua voz a gritar junto do som das guitarras eléctricas e do baixo ao fundo. Não há forma de se dizer que o passado não volta a aparecer num piscar de olhos. Não há forma de dizer que sim quando se quer dizer já.
Cheira-me a alcatrão e apetece trincar o mundo só para deixar as marcas dos meus dentes bem delineados e meio tortos.
Queria ser lugar. Queria ser tempo.
Sou o ar que o tempo respira. Sou o sapato velho que me põe bonita.
Quero palcos vazios para pisar e ser outra. Quero olhar para lá da cortina e não ter medo de te ver na plateia. Quero ser a plateia a olhar distraída nos minutos que antecedem a minha estreia antes de soltar o grito de paixão ardente.
Sou a folha arrancada do caderno do escândalo e sou sem dúvida a maior das certezas na minha vida.
Desenho riscos no chão sem medo de que me venhas puxar as mãos para fora do mundo.
Não tenho certezas ambíguas nem medo das palavras dos outros.
É só querer.
Voltar.
Ao palco.
Uma. Duas. Três.
Quando estiveres no chão, pega no baton vermelho vivo e põe com força nos teus lábios. Levanta os braços e solta o cabelo.
Não faz mal se os collans se rasgaram. Ficam bem melhor assim.

Friday, February 16, 2007

...fluxos...


Tinha a cara vermelha do tanto que ri. O sangue subia pelo meu corpo como em fluxo ascendente para caminhar para o buraco no meio da brancura celeste de onde saímos todos ou pelo menos os que nasceram para serem astros cintilantes. Não havia maquetas de casas e cidades de fantasia. Era tudo de verdade, chegava a saber a amargo como o sumo de um limão ainda verde. Mas não me importo de tomar de vez em quando um trago de nostalgia se assim for para me fazer melhor mulher. Gosto tanto de brincar com as letras, de as colocar próximas umas das outras e aconchegá-las como se fazem às crianças pequenas cheias de sonhos e caminhos por andar. Gosto tanto de ser tão pouco no meio delas. Sinto-me acompanhada com um livro na mala de viagem quando para em busca do sol dos meus dias gelados entre quatro paredes de saber e sabor. Sei que quando voltar vou sentir-me em paz a olhar o mar por baixo dos pés. O mar que me chegue de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Vai ao meu lado a dizer-me adeus e depois por baixo dos meus pés mas está sempre lá. Como a mão do criador que nos desenhou um dia e que com um mero sopro me fez levantar voo. Sou canção a bater nas águas do mar salgado das lágrimas de outrora mas sou ao mesmo tempo terra cor de tijolo por baixo das mãos ensanguentadas de um fluxo lunar de riso louco.

¨foto @ showcase do Nuno Prata no Chiado¨

Sunday, January 28, 2007

...rascunho do fim...

Há coisas que demoram a passar pro papel. Há coisas que não se esquecem mas doí lembrar que chegaram ao fim. Neste infinito fim que nos alcançou. Há momentos que ficam nos nossos melhores sorrisos. Há sempre a vossa voz na minha passada forte e decidida. Há sempre o vosso negro no sentar ao piano. Há sempre quem diga que o primeiro amor verdadeiro é o que mais fica e neste caso é mesmo a mais pura e crua das verdades. Porque foram o meu primeiro verdadeiro amor. Foram vocês. Foi os dedos pelo preto e branco do rectangulo mágico, das cordas do trapézio, do dourado de sol redondo e achatado. Foi tudo. Nada. Cada céu é meu agora e para sempre. Nos laços que atei ao pulso e nos abraços de amigos para toda a eternidade.
Obrigada Toranja e até sempre no mesmo lugar de sempre, no teu mundo que é só meu porque gosta de saber porquês. Ensinaram-me que deus aparece nestas mais estranhas formas de vida, que são vocês. Obrigada lai pela prenda que me deste hoje das mais bonitas que alguma vez recebi. Só podia ter vindo da minha Sininho.

Tuesday, December 26, 2006

...fim com abraços...


Nos últimos pózinhos deste ano, porque somos quem somos, porque somos pessoas de sentimentos, palavras, emoções, resolvemos ir para a baixa de Lisboa e distribuir aquilo que temos de mais precioso, os nossos abraços e claro, grátis! Foi um dia que não vou apagar do baú das memórias inesquecíveis porque abraçámos pessoas tão diferentes que quase não dá para descrever. Recebemos todos imenso carinho, beijinhos, apertões, abraços e tanta mas tanta magia no olhar de todos aqueles que esticavam os seus braços para nos envolverem e retribuirem. Soube bem ir de braços abertos e alma lavada para a rua e simplesmente dar abraços grátis.
Não podia ter terminado de melhor forma este ano que soube a pouco mas pra isso serve 2007. Foi um ano de regressos, um ano forte e saudavelmente construtivo. Como é bom continuar a aprender que sou capaz de muito mais. Que abraço a vida assim... de braços abertos, sorriso na cara.


I was born part precious metal part pirate.
Jeanette Winterson, Lighthousekeeping

Saturday, November 11, 2006

...i could have danced all night...

Nothing is certain except everything you know can change
Worship the sun but now
Can you fall for the rain?
~*~london skies



ao jamie cullum um sorriso de obrigada pela magia que pôs em mim num dos melhores concertos da minha vida

foto tirada do london eye em dezembro 2005